Currículo para Motoboy e Entregador:
CNH com EAR, Curso de Motofrete e Exemplos [2026]
Por Auditor ATS · 28 de abril de 2026 · atualizado em 30 de outubro de 2026 · 11 min de leitura
Do aplicativo para a carteira assinada: quando o currículo passa a importar
Para entregar por aplicativo, o cadastro é feito na própria plataforma. Na página oficial do iFood para entregadores, a lista para quem entrega de moto tem 18 anos ou mais, documento com identificação, conta bancária no seu nome e CPF e CNH A, sem currículo. Já numa vaga com carteira assinada, de motoboy em empresa, entregador de transportadora ou de operador logístico, o currículo volta a ser a primeira coisa que a empresa lê.
Muitas dessas vagas recebem candidaturas por plataformas de recrutamento, como a Gupy. Lá, os Agentes de IA comparam as informações da sua candidatura com o que a vaga pede e organizam a lista por aderência. A central de ajuda da Gupy diz que essa ordenação "não aprova, não reprova e não elimina ninguém" e que quem decide quem avança é sempre a empresa. O que ajuda é o currículo deixar claro, com as palavras que a vaga usa, a habilitação que você tem, os cursos que fez e o trabalho que já faz.
Este guia mostra os perfis de entregador e o vocabulário de cada um, o que a lei exige para trabalhar com motofrete, como escrever habilitação e cursos no currículo, uma estrutura seção por seção e três exemplos antes e depois.
Os 4 perfis de entregador: cada um com o seu vocabulário
"Entregador" é guarda-chuva. As vagas descrevem rotinas diferentes, e o currículo fica mais claro quando usa as palavras da rotina que você conhece. Antes de montar o seu, identifique em qual perfil você tem experiência real.
1. Motoboy de aplicativo
Entregas por plataforma de delivery, como autônomo. Termos comuns: entregas por dia, retirada de pedido, região de atuação, avaliação no aplicativo, taxa de cancelamento, horários de pico.
2. Motoboy de empresa (escritório, cartório, advocacia)
Empresas que mantêm motoboy interno para malotes, cartório, banco e despachante. Termos comuns: malote, despachante, cartório, banco, conferência de protocolo, agenda de coletas, entrega bancária, comprovante de entrega.
3. Entregador de last mile (transportadora ou operador logístico)
A última etapa da entrega, da base até o cliente. Termos comuns: last mile, OTD (on-time delivery, entregas no prazo), SLA, aplicativo de roteirização, romaneio, entrega expressa, devolução, ocorrência, hub, base, expedição.
4. Entregador de varejo e e-commerce
Frota própria de lojas e de comércio eletrônico. Termos comuns: entrega expressa, entrega no mesmo dia, retirada na loja, devolução na loja física, conferência de etiqueta, NF-e.
O que a lei exige para trabalhar com motofrete
Conferi os textos oficiais em 30/10/2026. Estados e municípios podem somar exigências: o próprio Código de Trânsito diz que as regras de moto-frete não excluem a competência municipal ou estadual (art. 139-B).
- CNH categoria A com EAR. A Lei 12.009/2009 pede habilitação na categoria há pelo menos 2 anos. EAR é a anotação de Exercício de Atividade Remunerada: o Código de Trânsito (art. 147, § 5º) diz que o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa informação incluída na CNH. A inclusão é pedida no Detran do seu estado.
- Curso especializado de motofrete (30 horas). A lei exige aprovação em curso especializado nos termos da regulamentação do Contran. A Portaria Senatran nº 923/2025 fixa a carga em 30 horas, com conteúdos como legislação de motofrete, acondicionamento da carga, direção defensiva aplicada e noções de primeiros socorros.
- 21 anos completos e colete de segurança, com dispositivos retrorrefletivos (Lei 12.009/2009, art. 2º).
- Moto autorizada para moto-frete. O Código de Trânsito (art. 139-A) exige autorização do órgão de trânsito do estado para a moto que faz transporte remunerado de mercadorias, com itens como o protetor de motor (mata-cachorro) e a antena corta-pipas.
A Medida Provisória 1.360, de 19/05/2026, chegou a mudar essas regras: tirava da lei a idade mínima e o curso especializado e aceitava a Autorização para Conduzir Ciclomotores. Ela teve a vigência encerrada em 15/09/2026, segundo ato do Congresso Nacional. Como a regra mudou duas vezes em 2026, confirme no Detran do seu estado o que vale quando for se candidatar.
A lei também pesa para quem contrata: a Lei 12.009/2009 considera infração empregar ou manter contrato de prestação continuada de serviço com condutor de moto-frete inabilitado legalmente (art. 7º). Por isso vale deixar a habilitação e o curso bem visíveis no currículo.
CNH categoria A, com EAR e Curso especializado de motofrete (30 h), [instituição], [ano]. Use o nome do curso e da instituição como estão no certificado. Na Gupy, cadastre o curso em cursos e certificados, que é um dos seis critérios da Ordenação Padrão.
Palavras-chave do motoboy e do entregador
Não há uma lista oficial de palavras que toda vaga pede. Os termos abaixo fazem parte da rotina de entrega e servem de roteiro para ler a vaga: use os que descrevem o que você faz, do jeito que a vaga escreve. Na Gupy, habilidades só contam quando a empresa personaliza a ordenação; por isso, escreva esses termos também dentro da experiência.
Habilitação e cursos
- CNH A com EAR
- Curso especializado de motofrete
- Pilotagem defensiva
- Moto própria (modelo e ano)
Operação e indicadores
- Entregas por dia
- SLA (Service Level Agreement, o prazo combinado)
- OTD (On-Time Delivery, entregas no prazo)
- Taxa de avaria
- Taxa de cancelamento
- Avaliação no aplicativo
Fluxo logístico
- Last mile
- Hub / base / cluster
- Romaneio
- Comprovante de entrega (canhoto)
- Ocorrência (cliente ausente, recusado)
- Devolução / reentrega
- Aplicativo de roteirização
Documentação
- NF-e e CT-e
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Estrutura do currículo de motoboy
Sem floreio. Para aprofundar, veja o modelo de currículo para ATS.
1. Dados pessoais e contato
Nome completo, cidade e estado, telefone com WhatsApp e e-mail. Se a vaga é para uma região, diga onde você atua (zona Sul, Centro, ABC). Na Gupy, a distância entre o seu endereço e o local da vaga é um dos critérios da Ordenação Padrão em vaga presencial ou híbrida, então mantenha o endereço atualizado no cadastro.
2. Resumo profissional (três linhas)
Exemplo ilustrativo: "Motoboy com [anos] anos em entregas de last mile, hoje entregador autônomo por aplicativo, com média de [número] entregas por dia. CNH categoria A com EAR, curso especializado de motofrete e pilotagem defensiva. Moto própria. Atuação na zona Sul de São Paulo." Veja como escrever resumo profissional para ATS.
3. Experiência (contexto, ação e resultado)
Cada item: o que você fez, para qual empresa ou cliente, com qual volume e com qual resultado. Na Gupy, a experiência profissional é avaliada pelo alinhamento entre o seu histórico de trabalho e as responsabilidades da vaga, e a central recomenda: "Descreva as atividades de cada cargo, e não apenas o título." Se a sua experiência é por aplicativo ou informal, veja como colocar trabalho informal no currículo.
4. Habilitação e cursos (seção dedicada)
CNH (categoria e EAR), curso especializado de motofrete, pilotagem defensiva. Cada um com nome, instituição e ano, como estão no documento ou no certificado.
5. Formação
Escreva a escolaridade como está no diploma ou no histórico e, se tiver, cursos ligados à área, como logística. Formação acadêmica também é um dos critérios da Ordenação Padrão da Gupy.
3 exemplos de bullets: antes e depois
Os números e lugares abaixo são ilustrativos: troque pelos seus.
Exemplo 1: Motoboy de aplicativo
Antes: "Trabalhei no aplicativo entregando comida."
Depois: "Entregador autônomo via aplicativo de delivery (03/2022 a atual) na zona Sul de São Paulo, com média de 60 entregas por dia nos horários de pico (almoço e jantar). Avaliação 4,9 no aplicativo, taxa de cancelamento abaixo de 1% e nenhuma ocorrência de avaria nos últimos 12 meses."
Exemplo 2: Motoboy de empresa
Antes: "Levava documentos pra cartório e banco."
Depois: "Atendi a rotina de malote de um escritório de advocacia (15 advogados), com coletas em 3 fóruns, 2 cartórios de notas e 4 agências bancárias da região central de Curitiba. Média de 22 entregas por dia com aplicativo interno de protocolo, conferência de comprovante e arquivamento digital. Todas as entregas no prazo nos últimos 18 meses."
Exemplo 3: Entregador de operador logístico
Antes: "Fui entregador de transportadora por dois anos."
Depois: "Entregador com carteira assinada em operador logístico (base na zona Oeste de São Paulo), em rota fixa de last mile, com média de 80 entregas por dia pelo aplicativo de roteirização da empresa. 92% das entregas no prazo (OTD), avaria de 0,4% e devolução por ausência abaixo de 5%. Operei NF-e, comprovante eletrônico de entrega (POD) e fluxo de devolução."
5 erros comuns no currículo de motoboy
- CNH sem a anotação de EAR, "tenho CNH A" não diz se você pode trabalhar com a moto. Se a sua CNH tem a anotação, escreva
CNH categoria A, com EAR. - Sem citar o curso de motofrete, a lei pede o curso especializado para a atividade, e quem contrata responde se o condutor não estiver habilitado. Se você fez, deixe nome, instituição e ano à vista.
- Experiência de aplicativo descrita sem números, "entreguei muito" não diz nada. Média de entregas por dia, região e avaliação, quando você tem esses dados, mostram o tamanho do trabalho.
- Currículo em foto ou PDF escaneado, a Gupy recomenda formatação simples, com 1 coluna e sem imagens, e cita textos dentro de imagens "(que muitas ferramentas não interpretam bem)". Prefira PDF gerado no Word ou no Google Docs. Veja currículo em PDF ou DOCX.
- Dados pessoais demais, CPF, RG, filhos e religião ocupam espaço. A ordenação da Gupy não usa nome, CPF, telefone e e-mail, nem religião ou situação familiar. Veja os erros de formatação que atrapalham a leitura.
Conclusão
Experiência de entrega não falta a quem roda todo dia; o que muitas vezes falta é o currículo mostrar esse trabalho. Você não precisa mudar o que faz, só como descreve. "Entreguei comida pelo iFood" vira "Entregador autônomo via aplicativo de delivery, com média de 60 entregas por dia e avaliação 4,9" (exemplo ilustrativo). Mesmo trabalho, agora com o que a empresa precisa ler.
Para fechar o ciclo, leia 7 ajustes práticos no currículo para ATS e otimizar currículo para ATS.
Perguntas Frequentes
Motoboy de aplicativo precisa de currículo?
Para entregar por aplicativo, em geral não. Na página oficial do iFood para entregadores, a lista para entregar de moto tem 18 anos ou mais, documento com identificação, conta bancária no seu nome e CPF e CNH A; currículo não aparece. Para vaga com carteira assinada em empresa, transportadora ou operador logístico, o currículo volta a contar. Se a empresa recebe candidaturas pela Gupy, os Agentes de IA organizam a lista por aderência e não aprovam, não reprovam nem eliminam ninguém: quem decide é a empresa.
O que é EAR na CNH?
EAR é a anotação de Exercício de Atividade Remunerada na CNH. O Código de Trânsito Brasileiro (art. 147, § 5º) diz que o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa informação incluída na CNH, conforme especificações do Contran. A inclusão é pedida no Detran do seu estado. No currículo, escreva a categoria e a anotação como estão no documento, por exemplo: CNH categoria A, com EAR.
Curso de motofretista é obrigatório?
Pela Lei 12.009/2009, no texto conferido no site do Planalto em 30/10/2026, sim: para trabalhar com motofrete é preciso ter 21 anos completos, habilitação na categoria há pelo menos 2 anos, aprovação em curso especializado nos termos da regulamentação do Contran e colete de segurança com dispositivos retrorrefletivos. A Portaria Senatran nº 923/2025 fixa o curso especializado para transporte remunerado de mercadorias com motocicleta em 30 horas. A Medida Provisória 1.360/2026 chegou a tirar a idade e o curso dessa lista, mas teve a vigência encerrada em 15/09/2026. Confirme a regra no Detran do seu estado antes de se candidatar.
Como descrever volume de entregas no currículo?
Com o que você consegue explicar: média de entregas por dia, região atendida, tipo de mercadoria, período e, se a empresa ou o aplicativo mostravam, indicadores como entregas no prazo ou avaliação. Exemplo ilustrativo: “Realizei em média [número] entregas por dia na [região], com rota definida pelo aplicativo da empresa e comprovante de entrega digital.” Não invente números: na entrevista, você vai precisar explicar cada um.
Vale a pena colocar o tempo de entregador por aplicativo como experiência?
Vale, se a experiência é real e tem relação com o cargo. Escreva a função, a plataforma sem apresentá-la como empregadora, o período e o que você fazia, por exemplo “Entregador autônomo via aplicativo de delivery (03/2022 a atual)”, seguido de duas ou três linhas com região, volume e cuidados com o pedido. Na Gupy, experiência profissional é um dos seis critérios da Ordenação Padrão, e a central da plataforma recomenda descrever as atividades de cada cargo, e não apenas o título.
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