Idade no currículo:
colocar ou não (e o que fazer com as datas)
Por Auditor ATS · 9 de outubro de 2026 · 9 min de leitura
A resposta direta: na maioria das vagas, você não precisa colocar idade nem data de nascimento no currículo. O currículo existe para mostrar o que você faz e o que já entregou, e a idade não informa nada disso. A exceção são as vagas em que a idade faz parte do requisito, como as de jovem aprendiz. Se um formulário de candidatura pedir a data de nascimento, responda com a verdade: o formulário é da empresa; o currículo é seu. Com as outras datas, a lógica é parecida: mantenha as que dizem algo sobre a vaga e nunca altere nenhuma. Abaixo estão os dados pessoais que entram e os que ficam de fora, o ano de formatura, as experiências antigas, o caso de quem tem mais de 40 ou 50 e o texto da lei sobre discriminação por idade.
Por que a idade não precisa estar no currículo
A dúvida "colocar idade no currículo ou não" aparece tanto para quem procura o primeiro emprego quanto para quem tem décadas de carreira, e a resposta parte do mesmo ponto: o que entra no currículo é o que ajuda quem lê a decidir se você serve para a vaga. Experiência, resultados, formação, ferramentas e os termos da descrição fazem isso, e é com eles que o currículo conversa com a vaga, como mostra o guia sobre o que a triagem compara entre currículo e vaga. A idade, na maioria das vagas, não entra nessa conta. Na Gupy, por exemplo, a central de ajuda para candidatos diz que a ordenação das candidaturas não usa idade nem data de nascimento (central de ajuda da Gupy).
O mesmo raciocínio vale para outros dados pessoais. Uma referência rápida:
| Dado | No currículo? | Observação |
|---|---|---|
| Nome, cidade e estado | Sim | A cidade ajuda em vagas presenciais ou híbridas. |
| Telefone, e-mail e LinkedIn | Sim | E-mail com o seu nome; LinkedIn com o mesmo histórico do currículo. |
| Idade ou data de nascimento | Em geral, não | Entra quando a vaga tem faixa etária ou pede o dado. |
| Estado civil e filhos | Não | Não dizem nada sobre o seu trabalho. |
| CPF e RG | Não | São pedidos no formulário ou na contratação, quando necessários. |
| Foto | Em geral, não | Veja o guia sobre foto e imagem no currículo. |
Cada linha a menos de dado pessoal é espaço para o que de fato pesa: o resumo, a experiência recente e as competências que a vaga pede. A estrutura completa está no guia de como fazer um currículo do zero.
Quando o formulário pede a data de nascimento
O formulário de candidatura é diferente do currículo. Alguns pedem data de nascimento, documentos ou outros dados cadastrais em campos próprios. Nesse caso, a regra é simples: informe a data real. Deixar a idade fora do currículo é uma escolha legítima sobre o seu documento. Colocar uma data falsa num formulário é outra coisa, e a divergência aparece quando os seus documentos são conferidos na contratação.
Se o campo for opcional, a decisão de preencher é sua. Se for obrigatório, preencha com o dado verdadeiro.
O espaço do seu currículo está com o que a vaga pede?
Compare seu CV com a vaga
Testar Meu Currículo Grátis →Sem cadastro. Resultado no seu email.
Jovem aprendiz: quando a idade faz parte da vaga
Há vagas em que a idade é requisito do próprio contrato. Um exemplo é a de jovem aprendiz. Pela CLT, no art. 428, o contrato de aprendizagem é firmado com o "maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de aprendizagem", e o § 5º do mesmo artigo estabelece: "A idade máxima prevista no caput deste artigo não se aplica a aprendizes portadores de deficiência." O texto está na CLT (Decreto-Lei nº 5.452/1943), no site do Planalto.
Nesses casos, informar a idade ou a data de nascimento ajuda quem recruta a ver que você está dentro da faixa. O guia de currículo de primeiro emprego mostra como montar o resto. Fora dessas situações, quem está no primeiro emprego segue a regra geral: a idade é opcional, e o que pesa são a formação, os cursos e as atividades que você consegue descrever, como no guia de currículo de primeiro emprego.
O ano de formatura e os cursos
O ano de conclusão funciona de jeitos diferentes conforme a fase da carreira:
- Formou-se há pouco ou ainda está estudando: coloque o ano de conclusão, ou a previsão. Em vagas de estágio e de início de carreira, a data mostra em que fase você está.
- Formou-se há muito tempo: o diploma é a informação que importa. O ano de conclusão pode sair, porque a vaga avalia a experiência que veio depois.
- Cursos e certificações: os recentes e relacionados à vaga entram com o ano, porque ali a data mostra atualização. Cursos antigos sem relação com a vaga podem sair inteiros, com a data junto.
Se um formulário pedir o ano de conclusão, informe o real. A regra é a mesma da data de nascimento: você escolhe o que vai no seu documento, mas não altera dado nenhum.
Experiências antigas: até onde o currículo volta
Não existe um limite oficial. Uma referência prática é dar detalhe aos últimos 10 a 15 anos, com bullets de resultado, e resumir o que vem antes em poucas linhas, com cargo e empresa. O critério não é a idade do cargo, e sim a relação com a vaga: um cargo de vinte anos atrás que é exatamente o que a vaga pede pode merecer um bullet.
Três cuidados para que resumir não vire esconder:
- Deixe claro que se trata de experiência anterior, para que a leitura não sugira que aqueles cargos são recentes.
- Não altere datas nem encurte períodos dos cargos que aparecem com data.
- Não apague um emprego que explica a sua trajetória. Se um período ficar sem nada, trate-o como lacuna, com uma linha honesta; o guia de gap de emprego no currículo tem modelos.
Coerência com o LinkedIn e com o formulário
O currículo pode ser uma seleção, e o LinkedIn pode ter mais detalhe. O que não pode haver é contradição: o mesmo cargo com datas diferentes, um título no currículo e outro no perfil, uma graduação concluída num ano lá e em outro aqui. Antes de enviar a candidatura, confira cargos, empresas e datas nos três lugares: currículo, LinkedIn e formulário. As diferenças de função entre o perfil e o currículo estão em LinkedIn vs currículo.
Mais de 40 ou de 50: o que muda
A lógica é a mesma em qualquer idade, mas quem tem uma carreira longa tem mais datas para decidir. Em resumo:
- Idade e data de nascimento fora do currículo, como para qualquer pessoa. Se o formulário pedir, informe a verdadeira.
- Resumo profissional aberto com o título da vaga e o que você entrega hoje, e não com "mais de 30 anos de experiência".
- Últimos 10 a 15 anos em detalhe; os cargos anteriores, numa seção curta de experiência anterior.
- Graduação antiga pode ficar sem o ano; cursos recentes e ligados à vaga, com o ano.
- Ferramentas e sistemas que você usa hoje, com o nome que a vaga usa. Sistemas descontinuados que a vaga não cita podem sair.
Nada disso é sobre parecer mais jovem. É sobre colocar na frente o trabalho recente, que é o que a vaga avalia. O passo a passo completo, com LinkedIn, rede de contatos e a objeção de "qualificado demais", está no guia de recolocação depois dos 50 (e dos 40). Para cargos de diretoria, veja o de currículo sênior e executivo.
O que a lei diz sobre discriminação por idade na contratação
A Lei nº 9.029/1995, no art. 1º, com a redação dada pela Lei nº 13.146/2015, diz: "É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal." O texto está no site do Planalto.
Para pessoas com 60 anos ou mais, público do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003, art. 1º), o art. 27 acrescenta: "Na admissão da pessoa idosa em qualquer trabalho ou emprego, são vedadas a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a natureza do cargo o exigir." O texto também está no site do Planalto.
Isto não é orientação jurídica: os trechos acima são a transcrição da lei, e um caso concreto pede a análise de um advogado.
Erros comuns com idade e datas no currículo
- Data falsa no formulário. Não resolve nada e cria uma divergência com os seus documentos.
- Currículo sem nenhuma data. Sem os períodos dos cargos recentes, quem lê não consegue entender a trajetória nem quanto tempo você ficou em cada lugar.
- Datas que não dizem nada sobre a vaga. O ano de conclusão do ensino médio num currículo para vaga de gestão, por exemplo, ocupa espaço e não acrescenta.
- Divergência entre currículo, LinkedIn e formulário. Cargo, empresa ou período diferentes em cada lugar geram dúvida sobre todo o resto.
- Dados pessoais que ninguém pediu. Estado civil, filhos, CPF e RG no topo do currículo.
Perguntas Frequentes
Preciso colocar a idade no currículo?
Na maioria das vagas, não. A idade e a data de nascimento não mostram o que você faz nem o que entregou, e o espaço rende mais com experiência e competências. As exceções são as vagas com faixa etária, como as de jovem aprendiz, e as vagas que pedem o dado de forma explícita.
E se o formulário da vaga pedir a data de nascimento?
Informe a data real. Deixar a idade fora do currículo é uma escolha sobre o seu documento; um dado falso no formulário cria uma divergência que aparece quando os documentos são conferidos na contratação.
Devo colocar o ano de formatura no currículo?
Se você se formou há pouco ou ainda está estudando, sim, porque a data mostra a fase em que você está. Numa graduação concluída há muito tempo, o diploma é a informação que importa e o ano pode sair. Cursos recentes ligados à vaga ficam com o ano.
Como fazer o currículo para quem tem mais de 50 anos?
Abra o resumo com o título da vaga e o que você entrega hoje, detalhe os últimos 10 a 15 anos com resultados, resuma os cargos anteriores numa seção curta, liste as ferramentas que você usa hoje com o nome que a vaga usa e deixe idade e data de nascimento fora do currículo. Sem alterar nenhuma data.
Tirar as datas das experiências antigas é mentir?
Resumir não é mentir, desde que fique claro que se trata de experiência anterior e que nenhuma data seja alterada. Mentir é mudar períodos, apagar um emprego que explica a trajetória ou dar uma informação falsa num formulário.
Em uma frase
A idade fica fora do currículo na maioria das vagas, e as datas ficam quando dizem algo sobre a vaga: escolha o que vai no seu documento, mas nunca altere um dado, e mantenha currículo, LinkedIn e formulário contando a mesma história.